20.5.13

Lívia

— Breno? — Ela chamava, sorrindo escuro, olhos alvi-fagulhantes.

A lua se debruçava pela janela, cobria a Lívia com véu transluzente, pálida. As costas e a anca curvas, num serpentear lânguido, abrasando os seios na minha pele, mergulhada na escuridão do meu corpo.

— Breno? — Chamava sorrindo, lábios gris-cintilantes, olhos noturnos.

Amor luarado, tez lívida. Os meus dedos escorriam pela luz, pelas costas, pela anca, até o escuro, constritos. Uma brisa abria a sua boca e ela se arrepiava. Aguada, afogava-me, inundando meus lábios. Com novos ares a encher-me, despertei como se sufocasse, desesperado por ar. Os meus dedos se fecharam, agarrando um tecido úmido, e ouvi o estalar abafado da água contra o piso. Levei a mão à vista e o que havia era uma pequena calcinha voluptuosamente perfumada.

2 comentários:

André Foltran disse...

Em minhas andanças pela internet achei este blog, tem qualidade literária por isso fico, desde agora como seguidor e leitor.

Grande abraço!

Bruno disse...

Agradeço o gosto.