1.5.09

Falta de Luz

O que a gente faz quando falta luz? Eu gostaria de fazer sexo, mas não tenho companhia apropriada para isso... Então vou escrever enquanto durar a bateria do meu computador. Ouvi dizer que quando falta luz famílias até conversam em vez de se concentrar na novela das oito. Impressionante. Talvez a falta de eletricidade também nos aproxime humanamente e não tão digitalmente como nos aproximamos do outro nesses dias modernos. A luz ainda não voltou, penso quanto o breu vai durar. Há muito não sentia o valor da escuridão, o brilhar das estrelas e som da minha respiração somente cortada pelos carros que vem e vão lá fora.
O sabor da escuridão é pacato, vem lento, tão lento que nos leva ao sono. E então percebo que com o silêncio interrompido das TV`s posso escutar meus próprios pensamentos e conversar comigo serenamente.
Sinceramente, gosto do silêncio, mas não estou disposta a pagar o seu preço, por exemplo, a água fria do chuveiro, não vou ser hipócrita e dizer que a vida poderia ser assim porque para que esses momentos sejam notáveis e bons devem ser escassos. Daí a nossa vida se faz de memórias, porque a maioria do tempo não é excepcionalmente prazerosa, e se for, pode não ter o mesmo sabor. Ou seja, estamos predestinados a usufruir de poucas delícias só para depois desejá-las, pelo menos a maioria de nós pobres mortais.
Todo mundo ambiciona coisas escassas, exceto um ornitorrinco, é a lei de Giffen, como diriam os economistas, ou seria a de Veblen? Sei lá, eu não sou economista. Enfim, todo mundo, ou todos os homens pelo menos, não dispensariam uma Ferrari. É a lei da raridade que se combina de forma hermética com o nosso ego: todos querem ser especiais e diferentes, alguns até querem ser parecidos com artistas para serem especiais ou diferentes, pessoal estranho. Alguns não entendem que para ser único basta ser você mesmo.
E é isso aí, provavelmente ninguém vai lembrar que eu ou você existimos depois de três ou quatro gerações, essa é a nossa sina de pobres mortais. Somo comuns, gente igual a gente tem um montão na China, outro montão na Índia, alguns em Cabo Verde e uns poucos na Islândia. Ser normal é bem normal, então pode ser bom. E, encerrando, já que voltou a luz, se viver é a única opção racional e como não pretendo casar com o Príncipe Willian para me tornar “inesquecível”, prefiro pensar como Veríssimo - o filho - quando escreveu: “Viva todos os dias como se fosse o último. Um dia você acerta” e é esse o segredo “Carpe Diem”.

OBS.: Segundo um leitor que fez um comentário valioso, o texto não é do Veríssimo, mas de Sarah Westphal, eu não conheço a autora, mas deixo a todos o benefício da dúvida, enquanto aumento meu arcabouço literário.

2 comentários:

M. F. S. Holloway disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
M. F. S. Holloway disse...

Bom texto, Rebecca.

Apenas um detalhe:
a frase citada no fim nunca foi do Verissimo filho, como ele faz questão de reiterar sempre que perguntado. O nome da verdadeira autora do texto "Quase" (onde o excerto aparece) é "Sarah Westphal", pode pesquisar no Google.

Aliás, a imensa maioria dos textos que circulam na internet com o nome de LFV não é dele. Graças a Alá, pois Luis Fernando Verissimo é um intelectual e tanto, não merece ter seu nome associado a tanta porcaria de auto-ajuda.

Abraços.