8.6.17

Da paixão

I

Nada. Vazio. Somente existir.
Paz verdadeira, silêncio da alma.
Nuvens, estrelas, aromas, sabores:
São simplesmente o que são. Nada além.

II

Às vezes, vem-nos um sorriso tímido,
Discreto, mudo, confundindo a paz...
Tolice! Brisas não derrubam cais.
Sequer bagunçam os cabelos soltos.

III

Ai, cheia! Água vítrea, fonte plena.
O eflúvio sobe, leve, aos olhos lúcidos
E turvos ficam. Fica o peito túmido,
Que queima, abrasa, e volta a amar, e teima.

IV

Tanto sono... Não sairei desta cama.
Aqui, fico até o findar dos meus dias.
Que assim seja, que eu não queira o fulgor
Novamente. Acalenta-me o nada.

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