É uma tela em carvão e giz. A festa reúne sombras alegres que mal se distinguem do ambiente. Os vultos passam, dançam, se encontram; as silhuetas conversam, riem, bebem. Nenhum rosto conhecido se me apresenta, nenhuma voz que pudesse agradar-me ouvir, nenhum olho capaz de me ver. O salão é pequeno. Observo cada detalhe de onde estou, recém-chegado. Um garçom cruza a minha frente, partindo do balcão à minha direita. Ali, frutas, metais e garrafas negro-luzentes. A luz vem de fora, pelas portas e paredes de vidro. A noite é naturalmente clara, embora escura. O mar risca o horizonte, a espuma das ondas cintila até se deitarem na areia. Devido ao burburinho, não as ouço. Sequer compreendo as falas.
À minha esquerda, um novo cenário. Deixo a inércia para adentrar o pátio, coberto por toldo ou telhados. Há mesas por toda parte. O chão é composto por tábuas. Alguns postes de madeira, nos limites da área, firmam o teto. Ouve-se música, e as pessoas permanecem sentadas, tendo uma conversa muda. Dentre as poucas de pé, destacada ou também invisível ao público, ela, cuja presença sempre procurei evitar. A praia encanta os seus olhos. Nem mesmo me percebe, já próximo de si.
Nada nos cerca. Podemos sentir a brisa da ausência de barreiras. Quero falar-lhe, quero ouvi-la; porém não ouço, apenas falo; ou não falo, apenas penso. É como se tivéssemos, contudo, uma longa conversa sobre a nossa vida, sobre o meu apodrecimento, sobre as minhas incapacidades, como se tudo fosse culpa dela, a raposa, porque mentia.
Ela continua em fascínio, com o olhar fixo para onde, certa vez, quis voltar a minha atenção, dizendo: “Veja o pôr do sol”. Já havia visto. Informei seco de ciúme. Alguns de seus amigos e parentes me rodeavam, observando a ilustração que eu fazia do ponto oposto ao qual ela queria que eu visse. Deixei que contemplasse o ocaso com a sua nova companhia, que só queria estar ao seu lado e falar, e falar, e falar... Agora, ainda me recuso a direcionar a vista para lá, continuo o contrário. Vejo a pedra que desenhei, uma enorme massa de negrume. Em segundo plano, o arrebol, tingindo o céu entre nuvens pretas, caindo para onde voltei o meu rosto, aquilo que eu não queria ver.
13.2.14
4.2.14
Sonho #03
Primeiro, fecho a porta; depois, desligo as luzes. Só há as de fora, delineando sombras pelo quarto. Deito-me. Às vezes, as costas sorriem. Encerro os olhos que, agora, enxergam melhor do que quando estavam abertos, segundos atrás. O mesmo para os ouvidos. A rua, a vizinhança, não soa; apenas o ventilador ruida, agradavelmente. O seu vento me cobre. Tenho o cobertor entre os braços. Um invólucro sufoca os meus pensamentos: eles se apagam, emudecem. Os demônios, que antes dançavam, estão caídos. Estou submergindo, afundando em mim, um oceano negro. Não existe empuxo.
O céu é sereno. Ao meu redor, tudo é noite. As estrelas tomam espaço sem alcançar o horizonte. A lua não se apresenta. Alguns postes iluminam a estrada asfaltada, delimitando bem as bordas. Depois delas, escuridão; mas não é como se eu pudesse cair, caso saísse da pista, ou dar encontrão em algo, ou desaparecer. O caminho é como feito para carros, com tracejados brancos pelo meio, porém tem largura para uma pessoa apenas. Ele começa bem onde estão os meus pés, não preciso olhar para trás. Observo as luzes projetadas ao longo do percurso e vejo um chão granulado, escuro, que brilha a minúsculas gotas de luz.
Ando. Ou andar, ou nada. Andando, hei de encontrar algo mais. Andando, hei de conhecer-me. É a minha certeza, uma obviedade. Ao final da via, saberei quem sou, e isto me empolga. Os meus pés mastigam o solo, os passos soam farelentos. É toda a sonoridade que há, tão audível que se pode contar cada grão pisoteado.
Passado um tempo, um quebra-mola. Que graça! Que obstáculo inútil! O que pretendiam? Dificultar a minha caminhada? Penso. Rio. Tenho ainda mais certeza da minha busca. Preciso chegar ao fim. Adiante, um aclive. Previsível. O cenário parece ter vida e gracejar, criando estes obstáculos. Depois dele, encontrarei o meu ser. É certo. Talvez as coisas só existam enquanto as vejo. No topo, outra lombada, mais uma piada. Pode ser que queiram retardar-me ou é um aviso: nunca chegarei aonde quero. Contudo prossigo. De cima, não vejo nada. Desço e já estou de frente a um novo empecilho.
Estou à entrada de um estacionamento sem carros, sem vagas; somente direções, passagens. Há muitas pilastras, segurando um tento infindo, um negrume vasto. Não há qualquer fonte luminosa, no entanto posso ver o que está avante. O seguimento, agora, é bifurcado. Direita ou esquerda? Opto pela esquerda. Desta vez, não há riso. Em poucos passos, as opções se multiplicam. Por onde ir? O entusiasmo queima. Tanto faz a direção. Todavia, a cada progresso, uma multiplicação. As direções são várias. Os meus olhos saltam de uma a uma, cegos. A minha cabeça ferve com o vapor do entusiasmo e logo transpiro pavor. Estou perdido em um labirinto sem paredes, incapaz de atravessar as divisas que tornam os caminhos incontáveis, incapaz de retornar. Pareço celerado, no meu desespero. Tomo rumos sem pensar. Há tontura, agora, depois de tantos giros.
Chego ao centro: um poço enorme, engolindo as pistas, transbordando escuridão. É ali. Encontrarei o meu ser ali. Cauteloso, aproximo-me. Olho para baixo. O que não vejo me fascina. Há degraus para mim, os quais desço, os quais se retraem quanto mais me distancio da superfície. O medo me freia. Se eu cair, não poderei voltar, ficarei preso em mim mesmo; e o que hei de encontrar lá? Corro de volta, fugindo de uma suposta asfixia. Salto degraus para cima, que deixam de existir. Escapo da armadilha, assustado feito um gato, atônito na minha cama.
21.10.13
Minha raposinha sempre bela
Minha raposinha sempre bela.
Muito bonita e jovem.
(Vaidade, talvez... Sim. Vaidade.)
Linda, linda.
Em teu quarto, nós dois: no sofá, tu; no chão, eu.
Teus olhos: tanto sono, quase sonho... A voz esmorecida...
Que bom cheiro, Memória! Que pele! Curvas!
Bela raposa – horizontalmente bela –, bom sono.
Também bom pelo.
E os cachos? Por que não mais cachos?
Vaidade...
O corpo curvo de frio, pequeno.
Meus ouvidos, fiéis; meus olhos – livres – em ti, num campo farto e
Dos seios miúdos à anca contrária.
E tu contrária a mim, a minhas palavras, planos, vontades.
Ainda assim, bela. Para mim, bela.
As mãozinhas, juntas, entre o rosto e o travesseiro alto,
Quando, em mim, uma palpitação sísmica.
Quantos anos, quanto tempo, naquele envelhecimento de instante?
Minha raposinha hedionda...
Bela, antes; velha, então.
E o espanto em meu rosto – no meu pelo teu?
Não à vista, pois o sono.
Uma alma, trêmula; a outra, sonâmbula;
Mas ambas dum roncar pavoroso de sono e surpresa pelo mutável
Num volver lânguido, as costas, o pelo sem cachos.
O silêncio, enfim.
Apenas gotas de espanto espaçadas;
Uma poça de espanto fugidia.
Mais espaço entre nós.
Eu, um poente.
(Um tecido escuro sobre mim.
Do corpo extenso ao pensamento basto.)
Tu, não mais bela? Esmorecimento?
Eis a cegueira, o túmulo;
Eis o não-pensar, e a cicatriz na memória.
Muito bonita e jovem.
(Vaidade, talvez... Sim. Vaidade.)
Linda, linda.
Em teu quarto, nós dois: no sofá, tu; no chão, eu.
Teus olhos: tanto sono, quase sonho... A voz esmorecida...
Que bom cheiro, Memória! Que pele! Curvas!
Bela raposa – horizontalmente bela –, bom sono.
Também bom pelo.
E os cachos? Por que não mais cachos?
Vaidade...
O corpo curvo de frio, pequeno.
Meus ouvidos, fiéis; meus olhos – livres – em ti, num campo farto e
[brônzeo,
Com uns leves tecidos brancos sobre tudo.
Dos seios miúdos à anca contrária.
E tu contrária a mim, a minhas palavras, planos, vontades.
Ainda assim, bela. Para mim, bela.
As mãozinhas, juntas, entre o rosto e o travesseiro alto,
Quando, em mim, uma palpitação sísmica.
Quantos anos, quanto tempo, naquele envelhecimento de instante?
Minha raposinha hedionda...
Bela, antes; velha, então.
E o espanto em meu rosto – no meu pelo teu?
Não à vista, pois o sono.
Uma alma, trêmula; a outra, sonâmbula;
Mas ambas dum roncar pavoroso de sono e surpresa pelo mutável
[imediato.
A pele frouxa, olhos assimétricos, boca sinuosa.
Num volver lânguido, as costas, o pelo sem cachos.
O silêncio, enfim.
Apenas gotas de espanto espaçadas;
Uma poça de espanto fugidia.
Mais espaço entre nós.
Eu, um poente.
(Um tecido escuro sobre mim.
Do corpo extenso ao pensamento basto.)
Tu, não mais bela? Esmorecimento?
Eis a cegueira, o túmulo;
Eis o não-pensar, e a cicatriz na memória.
13.8.13
16.7.13
Sonho #02
Se eu me lembro?
Ah, sim! Eu me lembro, embora se tenha passado muito tempo e, com isto, as coisas mudado. Eu mesmo me mudei. Visito o local esporadicamente, porque tenho família lá. Acredito que seja mais comum que eu frequente em memórias, precisamente a infância.
É ainda um morro verde, com uma concentração de rochas isolada. As casas também são poucas, pois a chuva enterrou algumas delas; mas não a parte onde cresci, onde amei o crepúsculo e o luar, onde as águas do mau tempo inundavam os meus olhos de encanto. E eu assistia a tudo pela janela, submerso em fantasias, enquanto os demais, se não mal me lembro, se distraíam com a televisão — com a exceção dos meus avós: proibição da igreja. Eu nunca me importei com Deus.
Dormíamos todos cedo (ou na hora habitual de dormir). Eu, no entanto, algumas vezes, me entretinha com a insônia, curioso com o que poderia acontecer lá fora, sob o imenso silêncio das estrelas. Foi numa noite assim que eu me pus a caminhar para depois do portão.
Ele já havia deixado de ser um portão e se tornara parte do muro, com suas dez hastes metálicas quadrangulares, cruzadas por duas outras horizontalmente, de mesmo formato, pelo meio: uma aquém e outra além. Duas das dez formavam a borda vertical e duas outras encerravam a base e o topo. A princípio, passava-se por ali normalmente; porém, como era necessário mantê-lo fechado com corrente e cadeado, tendo de ir buscar a chave sempre que pediam passagem, o modo prático era escalá-lo e saltar. Claro, para nós, jovens.
Agora, o velho portão de brancura enferrujada estava atrás de mim. O muro era um pouco mais alto, desnivelado: seguia morro acima e abaixo, até dois pátios. Uma escadaria cimentada ligava os dois pontos. Fora erguido com tijolos, revestido de concreto não inteiramente.
Eu pisava em terreno desregular, de terra com rochas fundas e vegetação rasteira e vária. Havia grande escuridão ao redor, todavia uma luz celeste me permitia enxergar as diversas trilhas, casas, árvores e precipício. Quanto mais distante da vista, tudo era breu, nada se distinguia. Percorri a pequena vereda. À esquerda, uma queda de pouca inclinação, dando numa residência e bananeira imensa; à direita, uma elevação com muito capim, dando curva ao caminho. Depois, uma bifurcação que ou me levaria a descer até uma moradia ou continuar no mesmo nível, à entrada duma igreja cinzenta.
Na verdade, as duas construções eram apenas uma. Uma família vivia no que seria o porão da igreja, cujo acesso era externo, com o quintal um tanto estreito. Um novo portão metálico, com barras cilíndricas verticais do busto para cima, fechava a igreja. Era possível ver o interior por elas. Entrei. Um corredor curto levava até o pátio da cantina.
Havia algumas portas azuis ao redor, naquele espaço quadrado. Embora estivesse iluminado, dentro da cantina se fazia um negrume sólido. No chão, próximo aos meus pés, a tampa de um calabouço me punha curioso. Nunca antes o vira. Era de madeira, umas tábuas pregadas nas outras, com uma argola de ferro, aparentemente pesada. Suspendi-a, entretanto, sem qualquer esforço.
O susto me tomou o fôlego, ao abrir passagem a um demônio. Escapava da treva ligeiro, raivoso, olhos nevoentos, tez rugosa, rígido feito gárgula, gris. Mais de dois metros e alado. Corriam pelo corpo estriado veias ou rachaduras. Um ódio gutural soava por entre suas presas, mas não só por isso corri para fora, de volta ao caminho, cego de medo. Logo, não pude evitar o despenhadeiro.
O desespero é como uma embriaguez doce ou um fumo orgasmático. Caímos em seu leito com as ideias às voltas, olhos turvos e todo o resto perdido. Não há sensações que o vença, estão todas à sua mercê — e o raciocínio apenas fagulha. Sabe-se que ele é amante da boa sorte e, algumas vezes, ela lhe falta.
Quando me atirei para longe do meu perseguidor, preferindo esfolar-me na queda a ser dilacerado na captura — ou, talvez, me faltava consciência do ato —, senti o ar conduzindo-me, como se o meu corpo não pesasse. Estava suspenso, à deriva: levava-me a impulsão dos meus pés, sem forças contrárias para me frearem. Eu era uma brisa. Com os olhos adiante, a vista se encheu de lume deslumbrante. A lua, tão clara e manchada, era o meu destino.
Esquecera-me que fugia. A lembrança me fez olhar para trás e ele estava próximo, a ponto de agarrar-me pelos tornozelos. Quis acelerar. Não sabia como e a falta de solução me rasgava em agonia. Havia a vontade fervilhante, oriunda das minhas entranhas, contudo não havia um apoio impulsor. Cresceu até explodir em vendaval de fogo, rodopiando o desespero, a agonia, em ciclone ácido e, morto, abri os olhos.
Ah, sim! Eu me lembro, embora se tenha passado muito tempo e, com isto, as coisas mudado. Eu mesmo me mudei. Visito o local esporadicamente, porque tenho família lá. Acredito que seja mais comum que eu frequente em memórias, precisamente a infância.
É ainda um morro verde, com uma concentração de rochas isolada. As casas também são poucas, pois a chuva enterrou algumas delas; mas não a parte onde cresci, onde amei o crepúsculo e o luar, onde as águas do mau tempo inundavam os meus olhos de encanto. E eu assistia a tudo pela janela, submerso em fantasias, enquanto os demais, se não mal me lembro, se distraíam com a televisão — com a exceção dos meus avós: proibição da igreja. Eu nunca me importei com Deus.
Dormíamos todos cedo (ou na hora habitual de dormir). Eu, no entanto, algumas vezes, me entretinha com a insônia, curioso com o que poderia acontecer lá fora, sob o imenso silêncio das estrelas. Foi numa noite assim que eu me pus a caminhar para depois do portão.
Ele já havia deixado de ser um portão e se tornara parte do muro, com suas dez hastes metálicas quadrangulares, cruzadas por duas outras horizontalmente, de mesmo formato, pelo meio: uma aquém e outra além. Duas das dez formavam a borda vertical e duas outras encerravam a base e o topo. A princípio, passava-se por ali normalmente; porém, como era necessário mantê-lo fechado com corrente e cadeado, tendo de ir buscar a chave sempre que pediam passagem, o modo prático era escalá-lo e saltar. Claro, para nós, jovens.
Agora, o velho portão de brancura enferrujada estava atrás de mim. O muro era um pouco mais alto, desnivelado: seguia morro acima e abaixo, até dois pátios. Uma escadaria cimentada ligava os dois pontos. Fora erguido com tijolos, revestido de concreto não inteiramente.
Eu pisava em terreno desregular, de terra com rochas fundas e vegetação rasteira e vária. Havia grande escuridão ao redor, todavia uma luz celeste me permitia enxergar as diversas trilhas, casas, árvores e precipício. Quanto mais distante da vista, tudo era breu, nada se distinguia. Percorri a pequena vereda. À esquerda, uma queda de pouca inclinação, dando numa residência e bananeira imensa; à direita, uma elevação com muito capim, dando curva ao caminho. Depois, uma bifurcação que ou me levaria a descer até uma moradia ou continuar no mesmo nível, à entrada duma igreja cinzenta.
Na verdade, as duas construções eram apenas uma. Uma família vivia no que seria o porão da igreja, cujo acesso era externo, com o quintal um tanto estreito. Um novo portão metálico, com barras cilíndricas verticais do busto para cima, fechava a igreja. Era possível ver o interior por elas. Entrei. Um corredor curto levava até o pátio da cantina.
Havia algumas portas azuis ao redor, naquele espaço quadrado. Embora estivesse iluminado, dentro da cantina se fazia um negrume sólido. No chão, próximo aos meus pés, a tampa de um calabouço me punha curioso. Nunca antes o vira. Era de madeira, umas tábuas pregadas nas outras, com uma argola de ferro, aparentemente pesada. Suspendi-a, entretanto, sem qualquer esforço.
O susto me tomou o fôlego, ao abrir passagem a um demônio. Escapava da treva ligeiro, raivoso, olhos nevoentos, tez rugosa, rígido feito gárgula, gris. Mais de dois metros e alado. Corriam pelo corpo estriado veias ou rachaduras. Um ódio gutural soava por entre suas presas, mas não só por isso corri para fora, de volta ao caminho, cego de medo. Logo, não pude evitar o despenhadeiro.
O desespero é como uma embriaguez doce ou um fumo orgasmático. Caímos em seu leito com as ideias às voltas, olhos turvos e todo o resto perdido. Não há sensações que o vença, estão todas à sua mercê — e o raciocínio apenas fagulha. Sabe-se que ele é amante da boa sorte e, algumas vezes, ela lhe falta.
Quando me atirei para longe do meu perseguidor, preferindo esfolar-me na queda a ser dilacerado na captura — ou, talvez, me faltava consciência do ato —, senti o ar conduzindo-me, como se o meu corpo não pesasse. Estava suspenso, à deriva: levava-me a impulsão dos meus pés, sem forças contrárias para me frearem. Eu era uma brisa. Com os olhos adiante, a vista se encheu de lume deslumbrante. A lua, tão clara e manchada, era o meu destino.
Esquecera-me que fugia. A lembrança me fez olhar para trás e ele estava próximo, a ponto de agarrar-me pelos tornozelos. Quis acelerar. Não sabia como e a falta de solução me rasgava em agonia. Havia a vontade fervilhante, oriunda das minhas entranhas, contudo não havia um apoio impulsor. Cresceu até explodir em vendaval de fogo, rodopiando o desespero, a agonia, em ciclone ácido e, morto, abri os olhos.
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